VERDADE

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Eu só queria chegar ao meu destino. Se eu dissesse “resposta certa”, ele provavelmente diria qualquer coisa que eu quisesse ouvir, eu sairia satisfeita e fim da história. As pessoas são assim, quase sempre dizem somente o que julgam correto e ocultam a verdade. Porém, se minha escolha for a verdade, ele diria caso não soubesse me informar. Escolhi a verdade, porque ela é sempre a resposta certa.

Ele apenas sorriu, talvez satisfeito com minha resposta. E disse: Quanta coragem! Nem todo mundo escolhe a verdade, alguns estão tão preocupados em ser certos que acreditam em qualquer mentira para não parecerem errados. A verdade é sempre mais difícil, não é? Para descobri-la, você terá que andar com seus próprios passos, eu não posso te ajudar, aliás, ninguém pode te ajudar a encontrar seu próprio espaço. Mas fique tranquila! aqueles que buscam sinceramente, encontram.

Retruquei e perguntei amigavelmente se aquilo significava que ele não sabia a resposta. Só os loucos sabem a verdade, e sorriu me dando bom dia. Saí de lá com mais dúvidas do que quando entrei. Reparei que as ruas estavam desertas, continuei a andar em busca de alguém menos estranho para pedir informação. Quanto mais eu andava, mais a cidade ia ficando velha, degastada, as pinturas mal cuidadas, tudo com um aspecto sujo.

Chequei meu celular, nada do maldito sinal, nisso eu vi uma placa de trânsito que dizia “Rua dos Comendadores – Zonal Sul” e uma seta para a esquerda. Meus problemas tinham acabado, fui no sentido da placa e depois de dois quarteirões (sem cruzar com uma viva alma) cheguei ao meu prédio. Curiosamente eu estava bem próxima a ele o tempo todo. Ainda tinha fome, decidi pegar a chave do carro e ir em algum lugar que eu conhecia, chega de erros. No apartamento, tudo igual, as evidências do meu segredo, o vazio, o espaço e o desconforto.

Fui à garagem. Na minha vaga algo de diferente, meu carro tinha dado lugar a um outro objeto, era do meu antigo quarto e reconheci assim que bati os olhos. Era meu espelho de corpo inteiro, porém ele estava coberto com uma manta.

Eu tinha começado a entender o que tudo aquilo significava. Me aproximei lentamente. Sabia que não devia puxar aquele pano, mas mesmo assim eu precisava ver com meus próprios olhos. Saber muitas vezes não basta, é necessário sentir. Quando puxei, soltei um grito de horror que se juntou com o som do interfone que me fez despertar suando. Eu estava no meu antigo apartamento, tinha adormecido entre as caixas etiquetadas.

O interfone insistiu, atendi e era o caminhão da mudança para fazer a retirada. Foi então que decidi: “Mudei de ideia e vou deixar essas coisas aqui, não vou levar. Mas fiquem tranquilos quanto ao pagamento do serviço, obrigada.”

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2 comentários Adicione o seu

  1. Duda Conte disse:

    Aposto três cruzados que se trocasse a super educação por um surto psicótico com direito a espuminha no canto da boca…te levariam mais a sério!

    ..bom, na verdade não te levariam a sério também..mas seria mais engraçado!

  2. Fi disse:

    ?????
    Essa história é… Verídica???? hahahahaha
    Ainda bem que se tah trabalhando hoje!
    hahahha

    abs

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