Mas, o quê?

em

Sobre o que eu não sei. Mentira. Sei sim. Mas é muito complexo para falar. Não tem dias que dá vontade de falar sozinho? Na verdade nem notamos, quando vimos falamos alguma coisa, sozinhos, como se houvesse alguém para ouvir. Pois é, exatamente isto que eu estou falando agora. Abri o “Word” para escrever, sem rumo e sem destino.

Percebi que é mais complicado que eu pensava. A página em branco logo foi preenchida (nem sempre é assim) com o primeiro parágrafo que ditavam os nortes dessa prosa. Afinal vale lembrar que um grande mestre já dizia: a prosa é falar muito para não dizer merda nenhuma.

Foda-se tudo isso. Vamos fingir que o primeiro parágrafo é este. Considere a parte acima como bastidores (como se importasse). Muitas coisas novas vem acontecendo ultimamente. Pensei sobre diversas coisas que há tempos não me vinham à memória. Nada é tão óbvio. Esses dias minha rotina mudou um pouco e também minhas percepções estão adquirindo novas texturas. Positivamente. Por exemplo, pensei em um novo modelo de sociedade. Louco não é. Vou dar um estudada nele e vou colocar aqui um dia ou tentar um livro. Lembro que estes pensamentos eram na minha juventude, repleta de filosofia, política e poesia. Eu era um nerd. Sim, ainda mais, trabalhava como porteiro. Tudo que um nerd precisa é de sossego para ler seus livros. Hoje quero que a filosofia vá filosofar em outro canto. Sociedade para mim já tem seu conceito bem definido. Conheço a corja, pode apostar. Mas me ver pensando nisso realmente me deixou feliz. Sinto falta daquela flexibilidade e, sem mentiras, um certo ócio em poder ficar pensando em “sociedade”.

Outro mestre já dizia algo sobre a velhice, não que eu me considere velho, mas remete ao fato de rejuvenescer: para voltar à juventude, basta repetir as mesmas insanidades que cometíamos quando éramos jovens. Não cometia loucuras. Talvez o fato de não considera-las loucas já me torne um louco. Enfim. O fato é que parece que descobri uma nova fonte. Quando encontramos motivação para algo, vamos fundo. Eu encontrei minha cota.

Poderia escrever uma coisa fofa que, literalmente, saiu das minhas mãos estes dias. Ou então, aqueles outros textos mórbidos que fica vomitando palavras como maldição, pecados, mentiras e o demais acervo semântico. Mas não, a principal mudança está no modo de escrever. Você pode não perceber, mas eu vou explicar. Antes de qualquer coisa, aprendi a ser um planejador. Tudo que eu escrevo eu penso em toda a estrutura e me limito a dizer aquilo. Parece que transformo meus pensamentos em briefings. Não os deixo fluírem. Mas neste momento, escrevo o que aparece na cabeça. Sabe o que veio? Uma nova teoria para construção intertextual. Uau! Adoro esses nomes que não dizem nada. Mas não vou me estender no termo. Deixo claro que no meio desse caos, eu certamente tenho algo a dizer. Na bagunça eu me encontro melhor.

Acordei confiante um dia desses. De modo nunca igual. A novidade é que eu sou o cara que ama probabilidades. Sempre penso em todas e para eu me sentir seguro é muito raro.

Mas pensando bem, sabe o que me veio no pensamento? Lembra do parágrafo dos bastidores? Ignora o que eu disse sobre ele. Sabiamente meu inconsciente fez um favor para este texto. Ia dizer lá que não faria menção a ele. Mas tá aí um modo interessante de relaxar. Dizer nada às vezes é legal. É como tirar o excesso de um pote que está lotado e não quer fechar. É como falar sozinho e dar risada depois. Experimente um dia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s