Mergulhe

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Decidi amar tudo e cada parte do universo. Às vezes eu tenho descrença de tudo, certa estafa de viver. Fiz umas contas bobas um dia desses. Calculei que ano iria morrer. Cheguei ao ano de 2058, em meus planos e com certo otimismo, este será meu último ano. Nunca tive medo da morte até pensar um pouco sobre isto. Amar é o ápice da sensibilidade, um estado que transmuta toda nossa ideologia e capacidade de raciocínio. Sempre julguei o fato de amar em demasia uma falha e me policiava para não perder diretrizes e foco por conta do amor. O assunto morte e amor entraram em contradição no campo das ideias. Estava pensando em um uma tese de como seria a construção do mundo moderno, coisas que hoje são essenciais, mas que com o tempo se tornarão obsoletas. Não digo de tecnologia, digo de tudo. Pessoas, sentimentos, opções, etnias, catástrofes e mais uma caralhada de coisas que vão definir novos dogmas, descartando antigos e talvez premissas básicas para o relacionamento humano. Tenho dois pontos de vista para este esboço, já adianto que nenhum deles é otimista, um deles considero o melhor.

Pensei neste futuro, que por lógica orgânica, eu não farei parte. Encurtei este tempo e comecei a pensar nas pessoas que amo, que elas podem morrer, ou então, eu posso morrer e deixá-las, sei lá, só sei que achei aquilo impróprio, algo que não devíamos pensar. Senti-me triste.

Listei os sonhos, constatei que mesmo envelhecendo eles continuam na ativa, se multiplicando, planos e mais planos, a vontade de fazer e de não simplesmente vegetar e definhar até a morte. Lembrei daqueles que me acompanham e tentei listar os sonhos deles também. É incrível como o dia a dia parece querer sanar toda a necessidade de criar e até amar. Em meu curto trajeto conheci pessoas que queriam me ajudar, por mais que tivessem seus próprios objetivos, eles queriam me ajudar. Outros me aconselhavam gratuitamente, visando o melhor para mim. Mas percebi algo nisso tudo. Tudo que eles falavam tinha a mais pura lógica e fazia o maior sentido. Exatamente por isso decidi não seguir aqueles conselhos.

Um pouco disso foi responsável por minhas reflexões sobre o amanhã. Talvez, para se alcançar objetivos, você precisa ser estratégico e mensurar quais são os objetivos alheios. Liderança, emprego, se sustentar, enfim, esse é o mundo de gente grande, aquele que nós aprendemos de fato, que quando olhamos para os lados e nos vemos o único responsável por nossos atos. Consultei muita gente com mais experiência que poderia estar mais próximo de Deus.

Estive por tempo demais em contato com essas ideologias de sucesso com base no individualismo. Concordo que este é o modo mais fácil, mas o considero arriscado demais. Não é meu jeito, aprendi que repreender nossas próprias características não é nada saudável. Tive um contato superficial com uma pessoa que está em um estágio que eu gostaria de ter com a idade dele. Não cheguei a sentar com ele e tomar uns tragos, mas de certo modo ele se expôs. Percebi que a mesma sensibilidade que eu tinha quando mais novo, que com o tempo somos obrigados a largar, ele tem. Se aquilo é fachada ou não, no momento não me importa, prefiro acreditar naquilo que vejo e deixar de lado um pouco aqueles milhões de conceitos que já tenho em mente para mergulhar em novos horizontes. Algumas palavras de fato me levaram a pensar sobre este modelo de gestão de vida. Poderíamos caminhar de mãos dadas ao invés de manter a distância?

Preciso esvaziar um pouco de conceitos. Quando achamos que temos tudo, na verdade, temos um monte de informações trituradas.

Por que não? Vou deixar um pouco de lado a bagagem para ficar mais leve e voar por outros ares. A moda talvez chame isso de “reciclável”.

Já repararam como qualquer pessoa apaixonada se transforma em um poeta do dia para a noite? Há uma magia nessa merda e é essa porra que eu to seguindo. A sensação é de viver a vida várias vezes. A melhor coisa da vida é se surpreender todos os dias.

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