Mercadológico

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“Puta merda cara, você é muito legal, mas devia ser mais esperto!”

O pior que ele tinha razão, meus olhos se encheram de lágrimas, porque sabia que ele dizia a verdade. Hoje em dia a verdade é um argumento muito complexo para ser usado, desde que existe o .zip e a globalização tudo é formatado em pequenas partes. O mundo é uma constelação de tags, links e toda a tralha de atalhos fulminantes. E as bocas dizem com certo receio “Atente-se ao fato. Você é inocente, precisa crescer e ser esperto!”. Fico pensando nisso tudo. É aí que está toda a magia dos livros que leio, aquela inocência e verdade, vencendo tudo, levando ao reconhecimento do homem como todo e não pelo o que tem. Se eu não acreditasse nisso acreditaria em quê? Deus? Aquele velho barburdo non-sense que é cultuado num ritmo de imaginação coletiva? Vou parar de beber? Parar de fumar? Mas se Deus é a verdade eu vou ter que mentir para encontrá-lo?

“Percebi que você é um cara coração, mas meu, se você vacilar outro que chegar engole você! To falando isso porque gosto de você”.

Tudo bem, eu sei que o mundo de longe é um conto de fadas como ditam, não acredito em unicórnio e nem mesmo um recém-nascido acreditaria no Papai Noel. Não quero mudar para ser mais esperto. Penso nesta tal malandragem. “Não é ser mau, é ser malandro”, ser malandro é incorporar um. Confesso que há quem nasceu pro negócio. Mesmo assim, se um dia você disser para mim: Cara, você é malandro. Acredite, não estarei mentido.

Hoje mesmo havia dito que escreveria esta história, este é meu jeito de eternizar algo, ou um lembrete que vale para a vida inteira. Seja como for, eu entendo, e até admiro, esta compreensão. No fundo, minha crença é formada em cima da fantasia, um idealizador de realidades, tenho certeza que existe um autista dentro de mim.

Este aspecto sonhador dizem que perdemos com o passar do tempo. A experiência e os famosos tapas que levamos na vida nos ensinam que o mundo não dá tempo para sonhar, os que insistem viram artistas. Não estes da televisão, mas sim os que vivem como mendigos na rua, por mais que você não imagine, alguns destes têm uma bagagem maior que qualquer graduado e dedicam os dias a sonhar.

Paro a pensar e vejo, muitas vezes, que exatamente este despertar à malandragem é o que vai sanando os sonhos. Não somos seres capazes de dosar bem sentimentos, por isso acredito que ao mudar a postura acabamos acreditando no personagem. Isto afoga aquela criança que no fundinho acredita em Papai Noel definindo-o como espírito natalino ou então pessoas que, mesmo não tendo religião, rezam todas as noites.

A experiência é uma faca sem suporte e de dois gumes, o sangue esguichará assim que você agarrá-la. Vendemos os sonhos por algo tangível, que no caso é o objetivo. O objetivo cria um canal fixo, este canal será revestido por um muro de concreto que representará a solidez daquele foco. A impressão é que esta rigidez torna o objetivo mais tangível. Se o Marketing tivesse que classificar um sonho, com certeza, ele definiria como “Foco Estratégico”.

O objetivo é um funil. Vai afinando conforme se aproxima do alvo. As mutilações que se sofre para se adaptar à estreita abertura chamam de experiência. Ela nos faz perder os “olhos de criança”… Por que os olhos jovens brilham mais que os velhos? Os velhos se assustam, ao contrário das crianças, que se impressionam. Neste ponto podemos perceber até onde percorremos a linha do tempo. Ver um cachorro voador causaria pânico nos velhos, mas causaria euforia nas crianças.

“Tem que saber jogar, se você não se impor, não irão te respeitar”.

Respeito, até onde seu respeito é importante quando se sente menosprezo por tudo. É um fator simples, ausência do desejo e pronto, você não é o target do mundo. Venda sua imagem, seja feliz. Quanta merda. As novelas e filmes conseguiram impor um realidade utópica dos que fingem com veemência. E eu gosto da tristeza, gosto da inquietude que a melancolia traz, dos questionamentos e reflexões oriundas do desconforto de existir. Não precisa haver motivo aparente, você simplesmente não se sente à vontade. Não quero ser feliz. Para ser feliz é necessário estar satisfeito e acho por demais limitado quantificar esta sensação.

É na ilusão que mora meu alicerce. Tanto que, não sei se você se esqueceu, mas eu sou uma história.

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