Te dou minha mão e meu cabo

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Sempre muito agradável, o som fazia meu corpo se mexer de um lado para o outro em formas nada sincronizadas. Parecia um insano deixando o som me envolver sem timidez. Como bom antidepressivo eu abri a geladeira em busca do meu eu ideal. Lá estava, um restinho de saquê, que era o bastante para me animar. Entornei, despenteei os cabelos e sai. O tempo era aquele que não dava para definir, certamente São Pedro era bipolar demais para um clima estável, no entanto, estava quente e nublado. Eu e meu parceiro (o mp3) fomos à rua em busca de diversão. Sim, o saquê estava em busca de adrenalina.

Realizo um ritual sempre que saio. É tipo um mantra gestual que torna minha energia harmônica com os astros de boas energias. Um som bombando no tímpano, impedindo que a carga sonora real afete meus sentidos. Com ele, pedintes, crianças de rua, assaltantes e prostitutas são repelidos. Este item estava ok, gosto de vida com minha trilha sonora. O segundo item para a harmonia astral é o cigarro, melhor amigo do homem, presente em todos os momentos. Ao procura-los, a boa notícia. Não havia cigarro. Precisava achar o mais rápido possível uma banca, padaria ou algo que o valha. Um boteco reluzia em uma esquina próxima, por magnetismo fui atraído pra lá. Perfeito, considero este lugar como uma segunda casa. Entrei, ninguém no balcão apenas um sujeito, tão impaciente quanto eu, batendo e falando alto. Algum ser humano neste lugar?! Virei e perguntei, posso ajudá-lo? Ele olhou um tanto impaciente para mim e perguntou rispidamente se eu trabalhava lá, claro que não, só queria saber se me parecia com um ser humano. Ele disse que não, mas ia pedir, ele queria um maço de cigarros. Te dou minha mão e meu cabo. Sei lá porque falei isso, nem rimava, mas falei, e rimos bastante até chegar um velho com uniforme encardido, seus olhos mal podiam esconder tanta infelicidade, pedimos nossos cigarros, mas o velho sorriu mostrando sua satisfação em dizer que não havia cigarros ali, para o nosso desespero. Aqueles displays eram falsos, apenas acentuavam o desejo de substância fumígena. Eu e o estranho vivíamos no mesmo dilema, onde encontrar o nosso amigo em comum, o cigarro. Ele sugeriu uma banca que disse que era próxima e lá certamente teria, fui com ele e no caminho ele perguntou se eu queria mudar minha vida. Olhei pra ele e disse que mudo a cada minuto minha vida, me segue, ele disse, e eu fui atrás. Entrei num lugar pouco movimentado e ele parou. Eu não sou humano, mas estou vestindo um, preciso arranjar um jeito de voltar pro meu planeta. Os músculos da minha face estavam contraídos, eu estava em silêncio e sorrindo, até pedir. Velho, me dá meio desse que você tomou. Vocês se acham muito a ponto de aceitar uma coisa nova? Ok, ok… por um momento achei que ia me pedir o cabo, eu acredito que você não é daqui, mas me diga de onde você é.

Lukken era seu nome, seu mundo de origem se chama Zecóride e fica a 84.598 anos luz daqui. Ele perdeu seu “zet”, que é tipo um manequim com 4 braços que permite que eles façam coisas humanas como nós. Inclusive ele me contou um pouco da história e cultura do mundo dele. Eles são 60 vezes a evolução de nossa espécie, por isso seus corpos são apenas o cérebro, como se uma lula tivesse cabeça, ele contou que não era nada agradável visualmente. Ele usou este jovem que estava agora a falar comigo para conseguir se infiltrar entre as pessoas, pois ele se perdeu de sua nave e seus companheiros partiram. O cigarro era necessário para ele, pois o ar do planeta Terra tinha muito oxigênio, o que fazia mal à saúde deles.

Era muita informação nova, mas disse, internet te ajuda? Ele fez uma cara de dúvida e depois uma expressão feliz, como se tivesse descoberto a palavra. Sim, essa é o antigo acesso XRTF que usamos em nosso planeta hoje. Era o nome da internet deles, bem mais avançada que a nossa, a energia elétrica era via wireless, a internet deles cobria 5 universos. Levei o cara em casa, liguei o computador e deixei ele operar a máquina, para minha surpresa ele acessou o Twitter entrou com sua conta secreta @lukkzet e mandou um tuite pro @zecoride dizendo -23.591296,-46.640624 jshhydssas ddeds asw axcssdf ejbf.

Pronto, ele me agradeceu, espero que não tenha compromisso nos próximos quinze minutos, completou. De fato, queria ver se vinha a nave espacial e cuspisse sua luz acolhedora. Estava pensando na proposta de me oferecer para trabalhar por lá, ser cobaia, peça de museu ou coisa assim. Não deu outra, os caras saíram do espelho do banheiro e trouxeram as coisas para  abrir um portal, vi três coisas daquelas com suas zet’s, parecia desenho japonês, pedi pra ir junto com eles. A resposta foi seca, não temos mais esperança, você não pode fazer nada. E foram embora, mas deixaram um maço de cigarros, no entanto, o saquê havia acabado.

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1 comentário Adicione o seu

  1. E nós aqui, nos achando os fodões porque chegamos à Lua. Bacana pra cacete a iniciativa de realmente criar o twitter do lukkzet e do zecroide.
    Um abraço!

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