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…não saberia se conseguiria viver com aquele vazio na alma. “Sempre será” – Disse em frente ao espelho, com a barba por fazer, cara de ontem, olheiras… sempre elas, as malditas olheiras que o faziam parecer um zumbi. A velha amiga insônia resolvera dar um folga após fazer uma visita, ela havia ficado para o café, almoço e jantar há dias. Velha companheira de guerra, pensou. Jogou água no rosto e repetiu: sempre será por você.

Não estava nem feliz e nem triste, estava resignado, sobretudo calmo. Aquele silêncio após ruidosa tempestade. Eliminou um a um dos medos que lhe vieram à superfície nos últimos tempos, estava em paz depois de intensa guerra interna. Agora ele se continha com a realidade, era alguém diferente. Perguntava se aquele que tem olhos no meio de cegos deve ser considerado deficiente, pensava sobre semelhança. Em frente ao espelho se estranhava.

Saiu pro cotidiano como quem aceita a penitência. Era resultado do mundo e a adição da sua matéria com as experiências, isso transformava seu caminho e queria penetrar na sua essência, sua luta era manter o contrário, seguir sua trajetória sem tocar o chão. Algumas coisas significam as outras, ultimamente ele achava o significado de tudo muito fraco e insuficiente. Significar, nomear, dar sentido e direção; isso é natural desde que saímos das cavernas e aprendemos a brincar com símbolos, mas o que a maioria quer é encontrar um significado maior, pleno e que nos alimente.

Amar significa. Essa simplicidade antagônica é complexa pela pureza; o poder do amor está em dar sentido, quase divino, e parecia uma alternativa plausível. Mais um relacionamento falido, tinha aprendido de uma vez por todas a não se entregar tanto, em nenhum momento ele havia se esquecido dos riscos, mas desta vez ele havia assumido sem medo, por vontade própria. E novamente o vazio.

O tempo sempre passa e passou. Quer se enganar quem pensa que o tempo cura qualquer coisa, na verdade ele mata. Mata a saudades, a falta, a distância, ele eterniza na lembrança apenas um espectro doente da uma realidade que certamente não cabe mais. A vida é testemunha: o tempo mata.

Nisso, aconteceu de repente. Com a memória distraída, viu em alguém um fragmento de um sonho, isto germinou em planos, e metas, e conquistas, e vitórias, e desejos, e significados. Construía-se uma história diferente da experiência. Desta vez haveria de ser diferente, acreditou e a fé é motivo suficiente para qualquer coisa. Preencheu sua rotina com seu amor, tingiu seus sonhos com a devoção, em meio a tantos não-significados ele significava com sua vontade.

Leve pela harmonia teve a impressão que seus pés não tocavam o chão. Aquela fonte de prazer viraria vício, enquanto isso ele embebia o desejo com sincera obstinação. O tempo, novamente. Eterno é somente a lembrança, se o homem se esquece por um momento ele é totalmente livre, porém totalmente novo. A novidade é um perigo para a confiança.

Um dia aconteceu, o sonho acordou e o sentimento quebrou. Acima de qualquer culpa a dor devastadora de perder algo importante. O dissabor e o significado se esvaindo com a vontade. Acordou depois de dias que não havia conseguido dormir e…

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